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The Go! Team conquista público do Motomix com rock de desenho animado

Sábado de sol com poucas nuvens no Parque do Ibirapuera: foi o cenário ideal para dar início à temporada de grandes festivais na capital paulista. Em um dia de inverno sem previsão de chuva, cerca de seis mil pessoas estiveram no Motomix, que este ano realizou sua sexta edição. Com uma diferença: em vez de clubes enfumaçados, um palco montado ao ar livre e com entrada gratuita.

O público saiu ganhando. Além da boa qualidade do som ao longo de todo o evento (que ocorreu sem incidentes), os fãs puderam conferir com pontualidade três bandas nacionais – Venus Volts (Campinas), Stop Play Moon (grupo paulistano que conta com a modelo Geanine Marques, musa do estilista Alexandre Herchcovitch, nos vocais) e os brasilienses do Nancy - e outras três atrações estrangeiras do cenário alternativo que vieram ao país pela primeira vez.

Primeiro nome internacional a subir no palco, o trio inglês Fujiya & Miyagi esquentou a platéia com teclado, baixo, guitarra e vocais sussurrados. Apesar de pouco comunicativos, Steve Lewis, David Best e Matt Hainsby lembraram os conterrâneos do Hot Chip em seus momentos mais viajantes. O grupo se saiu melhor nas partes instrumentais, mas o show como um todo – à base principalmente de música eletrônica inspirada em bandas de krautrock dos anos 70 e no electro do começo da década de 90 – foi simpático.

 

A coisa pegou fogo mesmo na apresentação do The Go! Team. Ao som do sexteto de Brighton, Inglaterra, é praticamente impossível ficar parado. Formado por três mulheres e três homens – incluindo o criador do projeto, Ian Parton – o grupo causa uma saudável confusão sonora ao juntar os mais diversos instrumentos a samples de funk dos anos 70. No palco, duas baterias, duas guitarras e um baixo somam-se a banjo, gaita, vibrafone e pandeiro. Detalhe: todos se revezam a maior parte do tempo.


Filha de pai nigeriano e dona de uma elogiada – e comprovada - performance ao vivo, a vocalista Ninja é uma atração à parte. Munida de uma boa dose de carisma, a cantora rima como se fosse uma rapper, agita com inúmeras coreografias, toca bateria e ainda solta algumas palavras em português, como quando anunciou uma "música nova" antes de entoar uma faixa de "Proof of youth", álbum do ano passado do qual veio boa parte do repertório do show, como a animada "Doing it right". A outra metade das músicas foi do disco de estréia da banda, "Thunder, lightning, strike", lançado em 2004.

Dos gritos de guerra das líderes de torcida às trilhas de desenho animado – como o piano de Charlie Brown, citado por Parton em entrevista ao G1 - a "massaroca" de referências às vezes esbarra no cancioneiro pop infantil, mas nada que um pouco de humor não possa amenizar. Ainda que se pareça com um bando de alunos fazendo bagunça na sala de aula, o The Go! Team mandou bem ao mostrar que não se leva muito a sério e conseguiu transportar para o palco a energia de seus álbuns de estúdio.

Representante da nova safra de bandas de indie-rock com influências da new wave, o Metric encerrou o Motomix em clima dançante. O trunfo da banda canadense é a vocalista Emily Haines, nascida na Índia e criada no Canadá. Além da bela voz, que viaja macia ao longo das melodias recheadas de elementos ora explosivos, ora mais delicados, a loira esbanja presença de palco à frente dos microfones e sintetizadores.

Ao lado do guitarrista James Shaw, ela faz parte do coletivo Broken Social Scene e foi eleita pela revista "Rolling Stone" americana uma das mais belas roqueiras da atualidade. Completam a formação o baixista Josh Winstead e o baterista Joules Scott-Key, que ao vivo é um dos principais responsáveis pelo lado orgânico da banda.

Prestes a lançar seu quarto álbum, o grupo tocou músicas de toda a sua carreira iniciada em 1998, com destaque para "Monster hospital" (de "Live it out", de 2005), seguida de um "parabéns a você" cantado em coro pelo público para um dos integrantes.

fonte:g1

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