Seis anos após sua primeira vinda ao Brasil, a banda inglesa Groove Armada se apresentou ontem no Credicard Hall, em São Paulo. Além dos dois principais membros do grupo, Tom Findlay e Andy Cato, havia também baixista, guitarrista, baterista e percussionista sobre o palco, e dois vocalistas que se revezaram entre as músicas. A casa não estava lotada, e até no gargarejo era possível circular sem problemas.
DJS DE LAPTOP
A dupla fluminense Twelves abriu a noite de maneira mais que competente. Fizeram um híbrido de live com DJ set, tocando hits conhecidos reprocessados no computador. Enquanto um deles cuidava da programação no laptop, o outro disparava samples (majoritariamente pratos de bateria nas viradas do compasso) e ajustava parâmetros do áudio em um teclado controlador. Tocaram "Technologic" e "Face to Face", do Daft
Punk, "Hustler" e "It's the Beat", do Simian Mobile Disco, além de faixas do MSTRKRFT, New Young Pony Club e até "House of Jealous Lovers", do Rapture.
Apesar de serem excessivamente apegados a fórmulas maximalistas em suas produções, o show dos Twelves mostrou que eles podem transcender o hype e ser grandes no futuro. Basta reunirem mais músicas próprias e deixar de lado os hits alheios. Do contrário, acabarão estigmatizados como simples DJs de laptop.
A dupla saiu de cena aplaudida. Sobre o palco já estavam armados a bateria, kit de percussão, teclados e microfones. As cortinas ficaram baixadas por um breve período e, quando foram levantadas, todos os membros do Groove Armada estavam a postos.
BIG BAND
O show se desenrolou sobre muitos timbres de acid, batidas quebradas e melodias viajantes. Dancehall, big beat e house foram alguns dos gêneros que deram a cara da apresentação, cheia de percussão e com performance digna de uma banda de rock. Andy Cato se revezou entre um enorme sintetizador e um trompete, que tocou na óbvia "Superstylin'", possivelmente o maior sucesso da banda. Tom Findlay só saiu de trás do laptop, de onde controlava os vocais e sintetizadores em playback, no fim da apresentação. De resto, chamava o público para acompanhar com palmas ou fazia gestos acompanhando as melodias das músicas.
Apesar da platéia não ter desanimado nem durante as músicas do último állbum,
Soundboy Rock, foram os hits antigos que levaram aos momentos mais animados do show. "My Friend" veio logo nos primeiros dez minutos, com Celetia Martin à frente do microfone. Soltou o vozeirão em uma versão cheia de percussão, bem mais dançante que a do álbum.
O MC Mike Daniel, ou M.A.D., voz por trás de alguns dos maiores sucessos do Groove Armada, também esteve presente nos pontos altos do show. Cantou na ótima "Lightsonic", fazendo gestos esquisitos e andando por todo o palco como se tivesse levado um choque elétrico no backstage. De todos os integrantes, foi o que mais interagiu com o público e se divertiu sobre o palco.
SUPER ESTILO
Com as já clássicas notas de trompete, Cato anunciou o começo de "Superstylin'". M.A.D. foi se aproximando aos pulos da beira do palco, à medida que a multidão ia reconhecendo o hit e gritando junto. Quando o MC começou a cantar "Enter in the dance / Plug it in and we begin", o Credicard já estava assistindo ao momento mais explosivo daquela noite. O grupo ainda esticou a música no fim, com ritmo mais dançante e sintético.
Sem grandes novidades, o show do Groove Armada valeu principalmente pela competência técnica da banda e pelos saudosos hits do grupo. Ouvir "I See You Baby " ao vivo, com bateria e percussão sendo tocadas no calor do momento, foi certamente um ótimo motivo para sair de casa, mesmo em uma noite gelada como a de ontem.