Dezesseis anos após sua primeira vinda ao país, o cantor Seal retornou aos palcos brasileiros ainda tendo como seus principais trunfos os hits daquela época. Em seu primeiro show na capital paulista, na noite desta quarta-feira (26), o inglês baseou boa parte da performance em seu mais recente trabalho, "System", do ano passado, mas foram mesmo "Killer", "Crazy" e "Kiss from a rose" as que satisfizeram os fãs.
Com a casa cheia - embora parte considerável do público de 2.400 pessoas fosse formado por convidados, por conta da inauguração do HSBC Brasil, o antigo Tom Brasil - Seal apareceu pouco depois das 22h30, com trajes totalmente brancos, e, em 1h40 de repertório, conseguiu segurar bem o ritmo do show até o final.
Como reflexo de seu novo álbum, as músicas eram em sua maioria o pop de batidas eletrônicas que serviu para Seal emplacar seus sucessos - embora tire o foco de sua bela voz. Ele trabahou em "System" com Stuart Price, mais conhecido por ter produzido o penúltimo disco de Madonna, "Confessions on a dance floor".
A primeira música a levantar platéia foi "Killer", faixa da década de 80 de Adamski em que o inglês não teve participação autoral e que atingiu um público maior só quando George Michael a regravou no meio dos anos 90.
Neto de um brasileiro, ele fez elogios ao país no primeiro contato com a platéia e lamentou que tivesse demorado tantos anos para voltar para cá depois de ter se apresentado no festival Hollywood Rock de 1992. Disse em português que estava feliz por estar aqui e soltou um populista "eu te amo, Brasil".
No decorrer da performance, tocou faixas como "My vision", a balada "Love's divine" e "When a man is wrong". E deu o que os fãs queriam ao interpretar "Crazy", que teve como diferencial um momento voz-e-violão para brindar um público que dava pinta de estar a caminho da casa dos 40 anos - e que, portanto, foi fisgado pelo hit quando estava na faixa dos 20 e o clipe da música passava em alta rotação na MTV.
Seal ainda tocou "Future love paradise" e "Kiss from a rose", a música de seu segundo álbum, de 1994, que só foi conseguir sucesso de fato ao ser incluída na trilha de "Batman eternamente". O hit fechou a parte que interessava da apresentação, mas ainda houve tempo para outra incursão do cantor pelo tecnopop na faixa de encerramento, enquanto o público já deixava a casa. Mas Seal já havia cumprido a missão ao relembrar seus pontos altos da carreira.
Ele volta a se apresentar em São Paulo (ingressos esgotados) nesta quinta-feira e depois segue para Rio de Janeiro (29/3), Curitiba (1/4) e Porto Alegre (3/4).